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Moda Masculina: primavera/verão 2018

12:00:00 PM

Especialista revela quais serão as novidades na moda masculina para a temporada primavera/verão 2018



Foi-se o tempo em que moda era assunto de interesse exclusivo das mulheres. Hoje, cada vez mais os homens tem se atualizado sobre o mundo das tendências a respeito do que usar e vestir – e isso não torna ninguém “menos homem”, ok?. Graças a essa mudança de pensamento, o que era apresentado nas passarelas também mudou: todos os desfiles tem tratado a moda masculina com mais vigor, trazendo o que há de melhor para o guarda-roupa masculino. 

As principais novidades da moda para homens, em especial para a temporada primavera/verão 2018, foram apresentadas na última semana no SPFW N44, que aconteceu na Bienal do Parque do Ibirapuera. E o evento mal acabou e já é possível observar as tendências das passarelas nas ruas, que começaram a se manifestar no street style. Resumidamente, teremos uma temporada bem leve, despojada e cheia de estilo.

“As peças que não podem faltar no guarda-roupa masculino esse ano e o próximo são as peças de alfaiataria, que possuem uma modelagem que sempre deixa o look mais elegante e agrada quem tem uma pegada mais jovem”, afirma Juliana Marangoni, consultora de imagem e estilo. “A alfaiataria pode ser um blazer, poder ser uma bermuda, camisa ou calça”, completa.

Com a ajuda da especialista, revelamos quais serão as principais tendências da moda masculina para você apostar na nova temporada primavera/verão 2018 que está por vir. Confira!



TENDÊNCIAS
“A tendência para a moda masculina dessa vez é a sobreposição, mas uma sobreposição mais leve com camisa e regata ou camisa, camiseta e short, uma camisa amarrada na cintura. Os lenços também são uma opção para quem quer ficar bem arrumado e sair do look básico que é a camiseta e o jeans”, diz Juliana Marangoni.

Ainda de acordo com Juliana, as camisetas grandonas estilo oversized, também serão tendência, mas dessa vez em conjunto com acessórios, como pulseiras, anéis e relógios. “Dessa vez eles vem mais neutros, com a pegada de deixar o look mais suave, uma coisa mais minimalista sem muito detalhe”, explica. 



CORES
As estampas também entram com tudo, principalmente as que destacam as cores amarelo e laranja. “As listras, que também são consideradas estampas, serão tendência, principalmente em regatas para aqueles que são mais despojados”, alerta a especialista. 

Para quem está se questionando sobre o jeans, as cores mais claras, com lavagens mais naturais, estarão em alta. Aposte nelas em calças, bermudas e até camisas.

“As cores que estarão em evidência serão as tonalidades mais para o pastel, com cores mais clarinhas, então, além do laranja e amarelo que eu destaquei acima, também vem rosa quartzo e azul, que estarão bastante presentes em camisetas, bonés, bermudas, camisas e até em jaquetas mais leves em tons terrosos”, completa Juliana.


SAPATOS
Os sapatos que farão os pés dos homens nessa temporada primavera/verão, serão os tênis baixos, sneakers com elástico ou velcro e as polêmicas alpargatas, que substituem os chinelos. 

Para os que procuram algo mais sofisticado, o sapato monster guest, que também é sem cadarço, voltará para as ruas – e vitrines.


CABELO
“Os cabelos continuam no estilo moicano, que é aquele com as laterais mais baixas e vai subindo em degrade, deixando mais volume no topo da cabeça”, diz a consultora de moda. Além dele, cortes como o Undercut, Razor Cut e Buzz Cut continuam em alta até o primeiro semestre de 2018. 

Para os mais ousados, de acordo com Juliana, o corte Undercut com Franja Longa é uma boa aposta. “Você pode deixar as laterais raspadas ou o cabelo mais cumprido, natural, de forma que dê para brincar com os fios de acordo com o humor”, ressalta.



PARA O DIA A DIA
Sabemos que no dia a dia é difícil apostar sempre no que está na moda, entretanto, a especialista também separou algumas dicas básicas de como investir em um bom look todos os dias sem precisar gastar muito do seu tempo ou dinheiro.

“Para variar o estilo é legal usar terno com tênis. Estranho? Nenhum pouco. Eu chamo esse visual de Costume porque é só o paletó com a calça, sem o colete e sem meia por conta do calor. Pode também usar a calça cropped, feira em alfaiataria, que possui uma barra mais curta que dá uma leveza no look, além de ser adequado para usar no verão”, finaliza Juliana.



Nathalia Marques
Curiosa e heavy user de internet, sempre amou tudo que envolve o universo do jornalismo. Nas horas vagas é fotógrafa, mãe de cachorro e leitora compulsiva.

10 tendências de Sapatos Femininos Verão 2018

10:00:00 AM


As semanas de moda mais importantes do mundo já aconteceram. Por isso, já sabemos o que nos espera em 2018 em todas as estações do ano. No campo dos calçados são muitas a novidades e detalhes diferenciados. Para quem quer ficar da moda desvendamos as 10 tendências de Sapatos Femininos Verão 2018.


Confira a seguir as 10 principais tendências de sapatos para usar em 2018 que você precisa ter em casa para ficar na moda:


1 – Sapato rosa metalizado
Acredite se quiser, mas no verão 2018 já vai ver muito rosa metalizado. No entanto essa cor de sapato aparecerá ainda mais no inverno. Isso porque é comum que no inverno o metalizado é extremamente usado, assim como as cores mais fechadas e escuras.

No verão você vai ver mais rosa millennial, que é o famoso rosinha claro. Ele está em alta para 2018 e vai te fazer gostar ainda mais dessas tendências.

2 – Denim
E quem disse que matéria-prima não dita tendência? Saiba que o denim foi usado nas semanas de moda como material de muitos calçados casuais. Até tênis com esse material apareceu. Além disso, mules de bico fino e com estampa florais deram o ar da graça nesse material.

3 – Estampas florais
O floral estará em alta no verão 2018. Ele é alvo de muitas empresas da industria da moda que querem um diferencial para modelos de sapatos. O material varia muito, mas o fato é que sandálias florais estarão em alta.

4 – Branco
O sapato branco é coisa de quem trabalha na área da saúde para muitos. No entanto, no verão 2018 ele vai reinar em todos os pés. O sapato branco só tem o inconveniente de ser branco (risos). Ele suja muito e precisa ter um cuidado especial, mas ele é chiquérrimo.

5 – Sapato e sandálias azul claro
Sapatos azul claro serão a bola da vez. Essa cor é um clássico, mas será mais evidenciada no verão 2018. Além disso, sandálias serão muito usadas nessa época do ano.

6 – Chinelos
No verão 2018 os chinelos aparecerão como destaque. No entanto, eles terão ares de sandália e estarão em ambientes que vão muito além das praias.

7 – Sapatilhas
No outono as sapatilhas tomarão conta do cenário. As em verniz serão mais usadas.

8 – Botas
No inverno 2018 as botas também estarão em alta e vão ser usadas com muita frequência em todos os canos.

9 – Alpargatas
As alpargatas voltam com tudo, em cores diferentes e serão bem usadas no verão.

10 – Tênis
Muitos modelos de tênis serão lançados para passeio. Eles serão confortáveis, mas não com cara de academia.

Agora que já entendeu o que usar basta investir em cada diferencial e ficar na moda.

Um ano do crime (nada perfeito) contra o embaixador grego no Brasil

9:00:00 AM

O assassinato de Kyriakos Amiridis está repleto de detalhes sórdidos. Presos desde então, a mulher do diplomata, o amante PM, e o sobrinho deste aguardam o veredito de um júri popular




O assassinato do embaixador grego no Brasil, Kyriakos Amiridis, em dezembro do ano passado, aspirava a ser um crime perfeito, mas acabou traído por seu amadorismo. Amiridis, que vivia em Brasília desde janeiro de 2016, passava férias de Natal no Rio com sua mulher, Françoise de Souza, e sua filha, de 10 anos. Não teve tempo de aproveitar as festas. Em 29 de dezembro, seu carro e os restos carbonizados do seu corpo foram achados sob um viaduto em Nova Iguaçu, na região metropolitana do Rio. Poderia ser um simples latrocínio ou um ajuste de contas numa das áreas mais perigosas do Estado, mas os suspeitos do crime, para alegria dos investigadores, deixaram um rastro de pistas que beiram o absurdo.

A história da morte do embaixador, de 59 anos, começa com uma infidelidade. Françoise, que entre idas e vindas passou 15 anos com Amiridis, iniciara em novembro um relacionamento com Sérgio Gomes, um jovem PM considerado um miliciano perigoso por sua própria família. A relação não surpreendeu parentes e amigos, porque todos consideravam óbvio que Françoise e o embaixador mantinham vidas paralelas. Mas Sérgio não se encaixava no perfil de homem branco e rico que costumava atrair a embaixatriz, como ela gostava de ser chamada. “"Achei esquisito. Ela nunca se juntou com homens morenos ou negros. Criticava quem se envolvia com eles, e sempre esteve com homens de pele clara"”, disse a mãe à polícia.

O PM, além de amante, passou a ser o motorista de Françoise em suas visitas ao Rio de Janeiro, com direito a uma chave que abria a porta do condomínio e da casa geminada onde a família passava as férias. Quando o embaixador não estava em casa, o policial ocupava o seu lugar. Dormia com a embaixatriz inclusive quando a filha dela, reconhecida legalmente por Amiridis como sendo sua, estava na residência.

Foi essa chave que Sérgio usou a noite do assassinato, em 26 de dezembro. Sua defesa se apega ao fato de não haver testemunhas do que ocorreu dentro da casa, mas as câmeras de segurança do condomínio contam boa parte da história. As imagens mostram o policial e um sobrinho dele, Eduardo Tedeschi de Melo, chegando a pé no final da tarde até a porta da casa da vítima. Françoise e a menina haviam ido a um shopping center, e Amiridis estava sozinho em casa. As câmeras também gravaram os dois homens entrando na casa, Gomes saindo algum tempo depois e manobrando o carro alugado do embaixador para colocá-lo bem em frente à porta da casa e, já por volta de 3h da madrugada, os dois saindo com um enorme volume envolvido num tapete, que foi acomodado no veículo antes de partir.

O sobrinho contaria depois que não sabia muito bem o que estava fazendo ali. Disse que foi porque o tio, de quem afirma sentir medo, pedira ajuda para “dar um susto num velho que batia na mulher”. Curiosamente, Sérgio é alvo de uma denúncia por ameaçar uma mulher com a qual queria ter um relacionamento, e Eduardo tem antecedentes por agredir uma ex-namorada.

Os detalhes do que ocorreu quando os dois suspeitos invadiram a residência foram variando em seus sucessivos depoimentos. Sérgio diz que discutiu com o embaixador e que o asfixiou em legítima defesa quando este lhe mostrou uma pistola. Essa suposta arma nunca apareceu, e ninguém jamais a havia visto. A perícia, entretanto, não deixa muitas dúvidas: a vítima perdeu muito sangue no sofá, sangue que chegou ao chão e às paredes de azulejo branco da casa. O que levou a polícia a acreditar que o embaixador foi surpreendido e assassinado rapidamente com uma punhalada no pescoço.

Matá-lo foi rápido, mas o difícil era se desfazer do pesado corpo. Levaria horas. Françoise, teoricamente, esperava o seu amante no shopping – – a polícia acredita que estivesse preparando seu álibi –, mas, por volta de 1h30 da madrugada, cansou-se e voltou para casa. Coincidentemente, a mulher não entrou pela porta principal, que dava na sala onde jazia seu marido, e optou pela da cozinha. Segundo Françoise, nem ela nem sua filha repararam na presença de dois homens dentro da sua casa arrastando um cadáver de quase 100 quilos. Nem sequer perceberam quando Sérgio se limpava e trocava de camisa. As duas dormiram placidamente.

Qualquer um poderia se perguntar por que mãe e filha não se surpreenderam ao ver o carro do embaixador na porta e não encontrá-lo dentro de casa. Mas Sérgio se encarregou disso. Como se dispusesse de um cronômetro, o policial retirou o carro do condomínio minutos antes de as duas chegarem. Não foi telepatia, claro. Durante todo esse tempo, segundo a investigação da Divisão de Homicídios da Baixada Fluminense, os dois amantes se comunicaram por telefone.

A partir daí, a história assume contornos tragicômicos. Depois de sair da casa, tio e sobrinho percorreram muitos quilômetros com o cadáver enrolado no assento de trás. O policial estava caindo de sono e cedeu o volante ao seu cúmplice. Até que o sobrinho se cansou e decidiu ir embora. Vendo-se sozinho, o policial escondeu o carro enquanto concebia outra ideia genial para sumir com a prova do crime. Enquanto isso, ainda teve tempo de almoçar com Françoise e tirar um cochilo na casa da vítima.

Ao despertar, Françoise encontrou uma mancha enorme e escura no sofá e notou que o tapete tinha desaparecido, mas diz que não deu importância a isso, nem mesmo pelo pequeno detalhe de que ninguém sabia onde estava seu marido. A faxineira contou outra coisa à polícia: que a patroa andou de um lado para o outro procurando um tira-manchas, enquanto explicava à empregada que tinha emprestado o tapete para uma festa grega.

Às 20h, Sérgio já tinha um novo e infalível plano: queimaria o carro com o corpo dentro. Se em algum momento pretendeu ser discreto, fez de tudo para não conseguir. Além de passar por pedágios que o gravaram com o volume na parte traseira do carro, todos os frentistas de um posto de gasolina recordam como ele exigiu de forma mal educada levar o combustível em garrafas de refrigerante de 1,5 litro. Para que o conduzissem até um lugar onde pudesse queimar o carro, contratou um mototaxista, a quem ameaçou para que esperasse enquanto concluía a tarefa –com o pequeno problema agregado de que isso transformou o motoqueiro em testemunha ocular da explosão do veículo. Até um morador de rua viu tudo.

A sequência de trapalhadas não parou por aí. Quando Françoise decidiu ir à delegacia para denunciar o desaparecimento do marido, três dias depois do assassinato, não teve ideia melhor do que chegar acompanhada de uma advogada, por acaso a irmã do amante, e do próprio Sérgio. A comitiva imediatamente despertou suspeitas. Enquanto Françoise depunha, Gomes decidiu voltar para a cena do crime e brigou com a síndica do condomínio, exigindo que ela apagasse as imagens das câmeras de segurança. Não deu muito certo.

Os agentes estavam sem dormir para tentar resolver o caso. Em poucas horas o carro já havia aparecido, e os investigadores tinham várias peças para reconstruir os fatos. Num segundo depoimento, o casal foi detido. O policial não demorou a confessar. A embaixatriz, que agora diz ter sido constrangida pela polícia, reconheceu que sabia que seu marido estava morto e quem o tinha matado, mas alegou que não participara do plano. E finalmente o sobrinho, sentindo-se traído, delatou o seu tio e também implicou Françoise. Afirmou que a mulher, ao voltar para casa naquela madrugada, deparou-se com eles e com o cadáver. A mulher, segundo Eduardo, chegou a queixar-se pela demora e se mostrou desconfiada com a participação do sobrinho do amante. Ao saber que era da família e “de confiança”, ofereceu-lhe 80.000 reais num prazo 30 dias se concluíssem com sucesso aquele plano que aspirava à perfeição.

A denúncia do Ministério Público, baseada no inquérito policial, sustenta que os amantes planejaram o crime para se beneficiarem dos bens e da pensão do embaixador. Os três suspeitos, todos eles presos à espera do julgamento, negam. A acusação de premeditar o homicídio com fins econômicos foi formalizada apesar de até hoje não se saber qual é o patrimônio da vítima, que não deixou outros familiares além de sua mãe idosa, na Grécia. Se é que realmente tinha algum bem. A polícia pediu a colaboração das autoridades gregas para localizar o espólio, mas não recebeu ajuda. Enquanto isso, a filha de Françoise, uma menina tão inteligente que aos 11 anos já fala quatro idiomas, não tem nem pensão nem patrimônio, e depende dos cuidados de uma amiga da sua mãe.

Desde que foi presa, Françoise, visivelmente abalada, insistiu a cada um dos três advogados que sucessivamente assumiram o caso que não tinha nada a ganhar com a morte do seu marido. Que ela e sua filha viviam como queriam. E que, desde que Amiridis morreu, sua vida está destruída. As sucessivas defesas de Françoise, apegadas à tese de que sua cliente só soube do crime quando este já estava consumado, ainda esperam obter sua absolvição.

Não é o caso de Gomes. Seu advogado, especialista em tribunal do júri, terá que suar o paletó para convencer os jurados a emitirem o veredicto de que seu cliente agiu em legítima defesa. A tarefa se mostra titânica. Os investigadores rastrearam no celular do acusado as buscas que ele fez no Google nos dias anteriores ao crime. Desde 16 de dezembro, os temas de interesse do policial eram coisas como “drogas que matam”, “a estrada mais perigosa do Rio”, “como explodir um carro” e como comprar drogas que anulam a vontade. Digitou várias vezes o nome do embaixador. E, três dias antes do homicídio, o PM ampliou o campo de busca: começou a se instruir sobre “crimes perfeitos”.

Roitman, o médico que a ditadura argentina torturou, assassinou e enterrou em seu hospital

8:00:00 AM

Equipe Argentina de Antropologia Forense identificou os restos da vítima, 41 anos depois de seu desaparecimento




Apenas 25 metros separavam o Chalet, centro clandestino de detenção que funcionou durante a ditadura argentina no hospital Posadas, do lugar onde foi enterrado o médico desaparecido Jorge Mario Roitman. Depois de ser torturado e morto, foi enterrado a 60 centímetros de profundidade dentro do terreno do hospital, localizado na periferia de Buenos Aires. Seu corpo permaneceu desaparecido por quase 41 anos, até que no último 8 de novembro, um grupo de trabalhadores encontrou alguns ossos enquanto cavava uma vala para um esgoto. A Equipe Argentina de Antropologia Forense (EAAF) exumou os restos e uma análise genética acaba de determinar que pertenceram a Roitman. Na próxima sexta-feira será enterrado no cemitério judeu de La Tablada e horas antes seus colegas do hospital realizarão uma homenagem na porta do edifício.

“A descoberta foi casual”, contou ao EL PAÍS Zulema Chester, integrante da Diretoria de Direitos Humanos do Posadas e filha de outro trabalhador desaparecido, Jacobo Chester. “Há muitos anos pedimos que toda a área fosse escavada”, acrescenta. A EAAF conseguiu identificar através de amostras de DNA depositadas no banco genético por Alejandra e Diana Roitman, filha e irmã do médico, que conseguiram uma coincidência de 99,99%, de acordo com o Tribunal Federal 3, encarregado da causa que investiga crimes realizados por pessoal do Primeiro Corpo de Exército.

Roitman tinha 32 anos quando, no final de 1976, foi sequestrado de sua casa, na presença de sua esposa, Graciela Donato, e suas duas filhas. “Era cerca de meia noite e meia, enquanto meu marido assistia a um jogo pela TV e eu estava colocando a outra bebê para dormir, ouço um forte barulho. Minha ideia foi que tinha explodido um botijão de gás. Quando me levanto vejo que meu marido está falando pelo olho mágico e alguém batia com uma marreta. Ele abre a porta, e entram na minha casa 3 ou 4 pessoas encapuzadas com roupas militares e botas de cor preta. Um tinha cabelo comprido, parecia uma peruca e óculos escuros. Tiram a menina menor que estava nos braços do meu marido, entregam para mim e me trancam em um dos quartos. A partir daí começo a ouvir todo tipo de ruído”, testemunhou Donato no Julgamento contra as Juntas, de 1984. A mulher lembrou que foi empurrada e espancada quando tentou sair do quarto. Não conseguiu se despedir de seu marido nem impedir que levassem vários objetos de valor da casa.

De lá, ele foi transferido para o Chalet e submetido a todo tipo de tortura e humilhação. “De acordo com as vítimas que compartilharam o cativeiro com ele, foi selvagemente torturado, sua condição de judeu intensificou a tortura”, apontou o tribunal em um relatório. A enfermeira Gladys Cuervo, única sobrevivente do Chalet, relatou que o viu “em uma poça de urina e sangue”. Pouco depois, ela o viu novamente ainda pior: estava agonizando.

O torturador Luis Muiña foi condenado em 2011 a 13 anos de prisão pelo sequestro e as torturas de Roitman, Chester, Cuervo e mais uma dúzia de trabalhadores. Cuervo relatou que durante o interrogatório usavam choques elétricos, queimavam o corpo com cigarros e davam surras selvagens.

O tribunal decidiu expandir a causa e no próximo março começará um novo julgamento pelo assassinato dos dois primeiros. O juiz Rafecas “já tinha dado como provado o homicídio agravado por aleivosia de Roitman”, como é habitual em muitos dos julgamentos por crimes ocorridos durante a ditadura, já que a maioria dos corpos continua desaparecido. A descoberta de seus restos confirma a investigação judicial.

O ditador Reynaldo Bignone vai se sentar no banco dos réus. Ao lado dele estará Muiña e Argentinos Ríos, os dois únicos membros vivos do grupo paramilitar SWAT, que “atuava no centro clandestino e andava pelo hospital, espalhando o terror entre os funcionários”, de acordo com o relatório do tribunal. Muiña se beneficiou em maio passado de uma redução de sentença que causou um forte repúdio da sociedade argentina.

Após a identificação do corpo, Rafecas tomou uma decisão adiada durante anos: convocou a EAAF para explorar todo o terreno do hospital em busca dos restos mortais de outros possíveis desaparecidos. “É uma conquista. Espero que possamos saber mais”, diz Chester. Os especialistas vão começar a trabalhar ali em fevereiro próximo.

Confiante nas pesquisas, Lula ressalta inocência e já anuncia medidas de governo

8:00:00 PM

Pesquisa Ipsos desta quarta mostra nova alta no apoio ao ex-presidente, que afirma:
“Não serei preso. Preso só pode ir quem cometeu crime e contra mim não há uma vírgula”




A maioria dos analistas, bem como lideranças políticas e econômicas do Brasil – incluindo o mercado financeiro —, estão convencidos de que a Justiça impedirá o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de participar das eleições de outubro do ano que vem. Mas há uma pessoa que defende o contrário: o próprio Lula. “Não vou ser preso. Preso só pode ir quem cometeu um crime e não tem uma vírgula contra mim. Duvido que neste país tenha alguém com a consciência mais tranquila do a que minha”, proclamou com grande veemência o ex-presidente nesta quarta-feira em São Paulo em um encontro com a imprensa. “Muito otimista” sobre seu futuro, com as pesquisas cada vez mais favoráveis, Lula se apresenta como o provável vencedor da eleição do próximo ano e até se permite anunciar algumas das medidas que tomaria se voltasse ao Governo.

Lula não quer falar nem como hipótese sobre uma possível decisão desfavorável do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), que marcou para o dia 24 de janeiro em Porto Alegre o julgamento de seu recurso contra a sentença de nove anos de prisão do juiz Sérgio Moro. A condenação, alega, seria simplesmente “uma negação da Justiça”, por isso espera que daqui até o dia do julgamento se abra caminho para um “consenso” sobre sua inocência no caso do triplex do Guarujá. Insistiu que não há uma única prova de que o apartamento seja dele e até brincou: “Leiam a sentença e se encontrem alguma coisa, me liguem”. “Se não acreditar na democracia e na Justiça, em que vou acreditar na minha idade, na luta armada?”, acrescentou.

A estratégia de Lula antes do decisivo encontro de Porto Alegre, que pode marcar não apenas seu futuro, mas o rumo da disputa eleitoral do próximo ano, ficou clara em um longo encontro de duas horas com um grupo de jornalistas. O ex-presidente apresenta como fato evidente que será absolvido –“tenho certeza absoluta”– e seu interesse é aparecer perante o público não apenas como candidato, mas como se estivesse prestes a retornar ao Palácio do Planalto. Por isso, desconversou diante de todas as perguntas sobre qual seria a reação do PT a uma hipotética condenação. Não entrou em considerações se a encarava como fraude eleitoral ou a culminação do “golpe”, como dizem alguns líderes de seu partido. Da mesma forma, não quis alimentar especulações sobre possíveis planos B, mesmo que o único membro do PT presente ao evento fosse um dos mais citados como alternativa a Lula, o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, coordenador do programa eleitoral.

Com essa ideia, o líder petista preferiu falar sobre economia, política externa, programas sociais ou possíveis alianças políticas. E aproveitou a oportunidade para anunciar algumas medidas governamentais voltadas para os setores mais pobres da sociedade. Prometeu uma reforma tributária para que os ricos paguem mais e aqueles com rendimentos inferiores a 5.000 reais mensais sejam isentos do imposto de renda. Também prometeu uma nova “valorização do salário mínimo” e mais gastos em educação. Disse que deseja se candidatar novamente para “fazer o que não fiz”, porque desta vez seu objetivo é “distribuir a riqueza, não só a renda”.

Lula chegou estimulado pelas pesquisas de intenção de voto que lhe são cada vez mais favoráveis. Nos últimos meses, a popularidade do ex-presidente não parou de crescer até atingir os níveis mais altos desde o impeachment; A última pesquisa foi divulgada nesta quarta-feira, feita pelo Instituto Ipsos para o jornal O Estado de S. Paulo, e traz resultados espetaculares para o líder do PT. Sua popularidade cresceu 16 pontos percentuais desde junho, até atingir 45%, mais do dobro de seus adversários potenciais, o ultradireitista Jair Bolsonaro e o governador de São Paulo, o centrista Geraldo Alckmin, que, além disso, caíram nas últimas semanas

O líder do PT aludiu diretamente a esse vento favorável das pesquisas e se esforçou tanto em aparentar que não está preocupado com sua situação judicial que explicou que está preparando uma nova Carta ao povo brasileiro. Embora desta vez o destinatário “será o povo e não o mercado”. O ex-presidente confessou que está magoado com reação contra ele do setor financeiro: “Nunca me agradeceram pelo que ganharam comigo”. Mas, ao mesmo tempo, quis deixar claro que não é verdade, como se comenta, que tenha dado uma guinada à esquerda. “Não estou mais radical, estou mais sabido”, disse. “E responsabilidade fiscal eu tenho de sobra, porque aprendi com uma mulher em uma favela”.

Os petistas já começaram a se mobilizar para organizar um protesto no próximo dia 24 em Porto Alegre, diante do Tribunal que julgará o caso. Lula revelou que não comparecerá porque tem uma viagem à África. Mas não evitou críticas muito duras à Justiça de Curitiba que dirigiu em primeira instância a maioria dos processos contra ele. Acusou-a de atuar “como partido político”, com o apoio da “grande imprensa brasileira”, e personalizou tudo isso muito claramente no procurador Deltan Dallagnol, dizendo que “deveria ser exonerado” pelo famoso powerpoint que apresentou há algum tempo à imprensa, colocando Lula como chefe de uma organização criminosa.

Para além dos ataques ao que ele mesmo tinha chamado de “República de Curitiba”, o ex-presidente evitou desqualificar a Lava Jato globalmente. Tampouco fez qualquer autocrítica em relação ao envolvimento de seu partido em casos de corrupção. E também lembrou que foi nos governos petistas que foram tomadas medidas para favorecer a luta contra a corrupção, como a independência do Ministério Público e da polícia, a criação de vários órgãos de controle ou a regulamentação das delações premiadas. “Não houve na história do Brasil um presidente ou um partido político que tenha tomado as medidas contra a corrupção que tomei”, afirmou.

“Fui levado para o departamento pessoal da Volkswagen. Ali mesmo começaram as torturas”

1:24:00 PM

Bellentani, ex-funcionário da Volks, foi espancado na frente dos seguranças da fábrica. Agentes do Governo queriam que ele delatasse colegas com atividades políticas e sindicais




"Trabalhei na Volkswagen de 1964 até as 23h30 do dia 28 de julho de 1972." Assim Lúcio Bellentani, um antigo ferramenteiro da montadora alemã no Brasil começa a contar sobre o dia em que foi retirado de seu posto de trabalho pela polícia política da ditadura militar, sob os olhares coniventes dos funcionários da segurança da empresa. "Eram 23h30 exatamente. Eu estava trabalhando quando fui surpreendido com um cano de uma metralhadora nas minhas costas. Me algemaram com as mãos para trás e me levaram para o departamento pessoal da empresa. Ali mesmo começaram as torturas. Comecei a ser espancado dentro da empresa, dentro do departamento pessoal da Volkswagen. Por policiais do DOPS [Departamento de Ordem Política e Social] e na frente do chefe da segurança e dos outros seguranças da fábrica", conta ele, cujo depoimento foi utilizado pelo historiador . 

Bellentani era militante do Partido Comunista e ajudava a organizar a base do movimento na fábrica. Foi detido porque os policiais queriam que ele dissesse o nome de seus companheiros que desempenhavam atividades sindicais ou políticas. "O sério de tudo, além do fato da tortura começar dentro da própria fábrica, é que a prisão aconteceu sem mandato judicial. No meu caso e nas outras que ocorreram lá dentro. Isso prova a grave violação de direitos humanos cometida pela empresa", diz.

O ex-funcionário conta que depois da detenção na fábrica foi levado até a sede do DOPS, onde continuaram as torturas."Neste mesmo dia fui espancado com palmatórias e socos", conta. "E durante 48 dias minha esposa ficou a minha procura. Ela ia diariamente na fábrica, perguntava do meu paradeiro e eles não diziam onde eu estava. Após os 48 dias, ela disse para a empresa que acionaria o seguro de vida e foi quando eles disseram para que ela me procurasse no DOPS e deram o nome do delegado da prisão. Só assim ela me encontrou. Fiquei ali por mais oito meses", conta. Ele foi julgado e absolvido em primeira instância, por insuficiência de provas. Mas acabou condenado nas instâncias superiores. "Fui transferido para o presídio, onde fiquei um ano e meio preso."

O ex-funcionário conta que o clima da fábrica na época da ditadura era de vigilância constante. "Começaram a surgir lá dentro boletins políticos e sindicais e a gente sentiu que a vigilância aumentou. Para ir de uma sessão para outra era preciso ter um passe assinado pelo chefe. Tinha um guarda que registrava sua saída e, no outro setor, um que registrava a sua entrada", relembra. "Os banheiros e vestuários passaram a ter visitas constantes. Os guardas faziam rondas de hora em hora. As portas dos banheiros foram diminuídas de tamanho. Eram portas pequenas em que os guardas conseguiam olhar por cima. Algumas tinham um buraco no meio, na altura do cabeça. Assim eles viam se a pessoa que estava dentro estava fazendo as necessidades ou não".

Na época, conta o ex-ferramenteiro, eles não tinham certeza de que tipo de colaboração a Volkswagen tinha com o regime militar. "O conhecimento que eu tinha era que haviam sido efetuadas mais prisões dentro da empresa", diz. "Mas depois, em 2014, com os arquivos da ditadura liberados, a gente começou a investigar e ir ao arquivo do DOPS e do SNI [Serviço Nacional de Informações, órgão de inteligência da ditadura]. E a gente se deparou com uma farta documentação que prova a relação bastante íntima com os órgãos de repressão da época. Mais de 400 documentos que a gente levantou assinados por responsáveis da empresa como chefe de segurança, diretor de Recursos Humanos, do Departamento Pessoal." Ele explica que, entre estes documentos, haviam papéis em que a empresa comunicava o departamento policial das atividades de ativistas sindicais e políticos que trabalhavam na empresa.

Também constavam dados pessoais de funcionários, que contribuíram, segundo ele, para a prisão dessas pessoas. "Tem o caso de um companheiro que trabalhou na Volkswagen em 1970/71. O nome desse ex-companheiro apareceu nas investigações com o DOPS e da OBAN [Operação Bandeirante, centro de investigação da ditadura em São Paulo]. Os investigadores entraram em contato com a empresa, que entregou a ficha funcional, com o endereço da casa dele, e a polícia foi até lá e prendeu o companheiro. Ele nem trabalhava mais lá e mesmo assim a Volkswagen entregou ele", conta. "Temos a ficha de outro companheiro que estudava na escolinha de formação da Volkswagen, se formou e passou a ser um dos instrutores. A ficha de estudante dele estava no arquivo do DOPS."

Segundo ele, há ainda documentos que comprovam atas de reuniões que a montadora coordenava com um grupo de empresas. "Eram reuniões periódicas onde eram elaboradas aquelas listas sujas de trabalhadores, nomes de ativistas sindicais e políticos que trabalhavam dentro das empresas. Isso corria entre elas, para não admitirem essas pessoas. Temos companheiros que ficaram 10, 15 anos sem arrumar emprego", relata ele.

Bellentani conta que se frustrou com o relatório apresentado na última quinta-feira pela empresa, em que um historiador externo contratado afirma que houve uma colaboração entre a segurança industrial da Volkswagen e a polícia política do Governo brasileiro entre 1969 e 1979 e que ela ocorreu especialmente através do chefe do departamento de segurança industrial Ademar Rudge, que "agia por iniciativa própria, mas com o conhecimento tácito da diretoria" Para ele, o relatório é "fraco" e "não condizente com a documentação em relação a acusação sobre a Volkswagen". "Ele não cita nem a documentação que levantamos no DOPS. Embora ele coloque que a empresa é culpada, que teve participação, não apresenta documentação sobre isso. É muito mais sério e muito mais grave do que está relatado e a Volkswagen está se omitindo", afirma ele. Procurada, a empresa não quis comentar as críticas ao relatório.

Para o ex-funcionário, a empresa deveria reparar individualmente as pessoas que "tiveram suas vidas interrompidas, suas carreiras, que tinham uma moradia e acabaram perdendo tudo por conta do entreguismo da própria fabrica". "Eu não fui indenizado pela empresa em momento algum. Não recebi nem um pedido de desculpa. Nada. A gente, inclusive, sempre foi impedido de entrar lá". Segundo a imprensa brasileira, a Volkswagen não planeja fazer reparações individuais.

"A empresa também deveria financiar um memorial, assumir a responsabilidade dela com esse período obscuro da nossa história e reparar estes erros. Financiar materiais para que a gente conte essa história de como foi a resistência, para que isso vá para os bancos da escola, das universidades”, diz. . Para ele, é importante que a juventude atual tenha conhecimento de como foi a reconquista dos direitos que permanecem hoje, “de poder escolher seus governantes, de participar da vida democrática do país", destaca.

Angels brasileiras brilham no Victoria's Secret Fashion Show deste ano

6:00:00 PM

O evento marcou a despedida da modelo Alessandra Ambrósio, que não participará mais dos desfiles da grife






Aconteceu  (20/11), em Xangai, o desfile anual da Victoria’s Secret Fashion Show para divulgar a nova coleção de lingerie da marca. A apresentação contou com um time de peso do Brasil: Alessandra Ambrósio, Adriana Lima, Bruna Liro e Laís Ribeiro foram as Angels do país que brilharam no desfile deste ano.

A entrada da brasileira Laís Ribeiro na passarela, usando o fantasy bra — o aclamado sutiã avaliado em R$ 6,5 milhões de reais, coberto com pedras preciosas — foi um dos pontos altos do show. O evento também marcou a despedida da modelo Alessandra Ambrósio, que não participará mais dos desfiles da grife.  



Além das 58 modelos, o Victoria's Secret Fashion Show teve apresentação dos cantores Harry Styles (ex-One Direction), Miguel, Jane Zhang, Leslie Odom Jr. e Yundi Li. O desfile foi exibido pela tevê norte-americana em (28/11).

O desfile aconteceu em Xangai, na China, e com isso algumas celebridades que estavam confirmados no evento não conseguiram autorização para entrar no país por problemas no visto, como a modelo Gigi Hadidi (que dias antes fez uma postagem na internet considerada preconceituosa contra os chineses) e a cantora Katy Perry.




A escolha de Xangai é uma aposta que marca tem feito nos últimos anos na China, que já soma um total de 26 lojas no país. O local dos desfiles é sempre diferente. O espetáculo já aconteceu em cidades como Nova York, Los Angeles, Cannes, Londres e Paris, cenário do desfilo do ano passado.



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Nem tudo na Internet tem o mesmo valor

5:00:00 PM

Deveríamos começar a chamar as coisas pelo nome. E, neste caso, ‘regulação’ é mais adequado que ‘neutralidade na rede’





No debate sobre a neutralidade da Internet, como em muitos outros nesta época de realidades emocionais, a semântica condicionou argumentos opostos. A decisão da Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos (CFF, na sigla em inglês) de acabar com as normas que obrigam os provedores a garantir acesso igualitário dos usuários a todo o conteúdo on-line gerou polêmica, pois os defensores dessa neutralidade advertem que isso pode dar margem a uma Internet de duas velocidades – e até mesmo à censura na web. Mas existem nuances que esse termo, “neutralidade”, não reflete de maneira fiel.

Em termos gerais, quem pode se opor à premissa de que a Internet seja neutra? E mais: quem pode defender que qualquer tecnologia, seja ela qual for, não pode ser neutra? Por isso, muitos dos criadores da Internet, as pessoas que pensaram na arquitetura digital que mudou o mundo, como Robert Kahn e David Farber, são contrários ao uso desse termo e se referem a tal princípio como “regulação da Internet”. Considerando os argumentos de críticos e defensores, é uma expressão que reflete de forma mais adequada a natureza desse debate.

Nem todo conteúdo da Internet é igual. A diferença é evidente – como afirmou Nicholas Negroponte, fundador do Media Lab do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), numa palestra de 2014 onde colocou em dúvida a máxima de que “todos os bits foram criados iguais”. Negroponte deu um exemplo esclarecedor: um livro inteiro, um romance, pesa aproximadamente um mega; por sua vez, somente um segundo de vídeo em streaming já pesa mais do que um mega, e um impulso elétrico de um marca-passo é uma fração desse mesmo mega. É óbvio então que nem todo conteúdo pesa a mesma coisa. E, portanto, não pode ser considerado igual.

Essa afirmação permite também outras reflexões. Do ponto de vista de um jornalista que trabalha num veículo de comunicação generalista, com rígidos processos de verificação das informações, é lógico não considerar que todo conteúdo tenha o mesmo valor. É fato que existem portais que publicam notícias falsas, material plagiado e conteúdos criminosos, ao passo que outros não publicam. Todos eles devem ser tratados do mesmo modo, numa Internet nivelada onde todos valem a mesma coisa? Sou consciente de que essa é uma questão polêmica e que levanta outro dilema, muito maior e para o qual não tenho resposta: quem decide, então, qual conteúdo é lícito e qual não é?

De certo modo, é lógico que as normas da chamada neutralidade na Internet tenham tido uma vida tão curta nos EUA, pois significam conferir ao Estado a capacidade de decidir a forma em que os provedores privados de Internet tratam o conteúdo, num país geneticamente contrário a qualquer tipo de intervenção governamental. Os argumentos expostos pelos membros da CFF, que acabaram com essas regras de neutralidade, concentram-se justamente no respeito ao livre mercado e na importância de reduzir a regulação num setor que sempre se caracterizou pelo dinamismo e a inovação.

Nesse debate, tem sido crucial a atividade em defesa dessas normas por parte das grandes plataformas de conteúdo da web, como Facebook, Google e Netflix. Todas mobilizaram os recursos ao seu alcance para focar o debate em torno do princípio de neutralidade, situando-se como defensores da liberdade de expressão e da transparência, pedindo que todos sejam tratados de maneira igualitária, e que a largura da banda não discrimine seus conteúdos.

Chama a atenção o fato de que tenha sido esse o seu argumento principal, já que praticamente todas essas plataformas discriminam o conteúdo que os usuários publicam nelas por meio de opacos algoritmos que sofrem constantes mutações e que são projetados, em última instância, para maximizar seus benefícios, normalmente gerados através de publicidade. Pedem neutralidade para serviços intrinsecamente opacos e desiguais. No acalorado debate das notícias falsas, foram esses os algoritmos que fizeram com que rumores de todo tipo tenham tido um peso excessivo para cidadãos do mundo inteiro, que deram credibilidade às mentiras dos partidários de Donald Trump e do Brexit [a saída do Reino Unido da União Europeia] e às campanhas de desestabilização russas.

Não há dúvidas de que a Internet deveria ser barata ou gratuita. E que as conexões deveriam ser todas de alta qualidade em todos os lugares do mundo, sem discriminar os usuários e respeitando o direito deles à intimidade. Mas também é certo – fato incontestável – que nem todo conteúdo da Internet pesa nem vale a mesma coisa. E pode ser que, fora dos EUA, em mercados mais afeitos à regulação, como o europeu, decidamos que é necessária uma maior regulação da Internet. Para elaborá-la e aplicá-la corretamente, porém, deveríamos começar chamando as coisas pelo nome. E, neste caso, “regulação” é mais adequado que “neutralidade”.

 

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