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Papa: colaborar a fim de construir a nossa casa comum

12:11:00 PM
Após a oração mariana do Angelus, deste domingo (10/12), o Papa Francisco renovou o seu apelo em prol de um mundo sem armas nucleares, e recordou o Dia das Nações Unidas para os Direitos Humanos, celebrado neste domingo. O Pontífice lembrou também que na próxima terça-feira (12/12), se realizará, em Paris, a cúpula climática “Our Planet Summit”, e os povos que sofrem os efeitos das mudanças climáticas, como as populações da Índia, atingidas pelo ciclone Okhi, e da Albânia, gravemente danificada pelas enchentes.

Bitcoin é uma bolha financeira ou não?

11:56:00 AM
Os ganhos estratosféricos abriram os olhos de investidores do mundo todo, mas a valorização da moeda digital mais aceita no momento pode ser vista como uma bolha financeira?

Petrobras elevará preços do diesel em 1,8% e os da gasolina em 1,4% a partir de terça-feira

11:39:00 AM
A Petrobras elevará os preços do diesel em 1,8 por cento e os da gasolina em 1,4 por cento nas refinarias a partir de terça-feira, segundo comunicado publicado pela estatal em seu site nesta segunda-feira.

Os reajustes fazem parte da nova sistemática de formação de preços da companhia, em vigor desde julho e que prevê alterações quase que diárias para as cotações dos combustíveis.

    








 Evolução das cotações do preço do barril e da taxa de câmbio
 Brent (US$/bbl)


Dólar (R$/US$)




Mercado volta a ver inflação abaixo do piso da meta neste ano

10:48:00 AM
Já o grupo dos que mais acertam as previsões, o chamado Top-5, calcula a taxa básica a 6,5 por cento em 2018.Foto: Steve Buissinne

O mercado voltou a ver a inflação abaixo do piso da meta neste ano e ainda elevou a expectativa para o crescimento da economia, mostrou a pesquisa Focus do Banco Central nesta segunda-feira.

A alta do IPCA este ano passou a ser calculada agora em 2,88 por cento, ante 3,03 por cento na semana anterior, sendo que a meta de inflação é de 4,5 por cento, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual.

A redução acontece em um cenário de persistente fraqueza dos preços dos alimentos, que levou a alta do IPCA a desacelerar mais do que o esperado em novembro 0,28 por cento, contra 0,42 por cento em outubro, acumulando em 12 meses avanço de 2,80 por cento.

Se o IPCA terminar o ano com alta abaixo de 3 por cento, será a primeira vez desde a criação do regime de metas que a inflação fica abaixo do piso e o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, terá de fazer uma carta aberta para explicar o porquê do erro.

Para 2018, o cálculo no levantamento junto a uma centena de economistas é de 4,02 por cento de inflação, sem alterações.

Para o Produto Interno Bruto (PIB), os economistas consultados passaram a ver agora crescimento de 0,91 por cento em 2017, 0,02 ponto percentual acima da projeção anterior. Para o ano que vem, a melhora também foi de 0,02 ponto, para 2,62 por cento.

O PIB brasileiro cresceu 0,1 por cento no terceiro trimestre ante o período anterior, mas o destaque foi o melhor desempenho em quatro anos dos investimentos, uma vez que a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) cresceu 1,6 por cento no período.

O Focus mostrou ainda que a projeção para a taxa básica de juros Selic no final de 2018 continua sendo de 7 por cento, após redução de 0,25 ponto percentual em fevereiro e elevação na mesma proporção em dezembro.

Na semana passada, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC cortou a Selic em 0,5 ponto percentual, para a mínima histórica de 7 por cento ao ano, deixando a porta aberta para nova redução adiante, mas ressalvando que encarará a investida com “cautela”.

Já o grupo dos que mais acertam as previsões, o chamado Top-5, calcula a taxa básica a 6,5 por cento em 2018.

Bupropiona: a nova pílula da felicidade?

12:00:00 PM

Saiba mais sobre esse remédio ambicioso que empreendeu uma campanha de marketing capaz de deixar os “colegas” no chinelo




O fármaco em questão enfrenta nada mais e nada menos que o todo-poderoso Prozac. E chega com uma lista de indicações tão longa que sacudiu a comunidade psiquiátrica. “A nova happy pill”, “a última arma para emagrecer sem fazer dieta”, “o único antidepressivo que não reduz a libido”, e por aí vai. Nos Estados Unidos, já é o antidepressivo mais receitado. Então anote o nome: bupropiona.

A primeira coisa que é preciso fazer é eliminar qualquer conotação de “novo” desse remédio. A bupropiona foi sintetizada em 1969 por um laboratório dos EUA e introduzida no país em 1985. Sua experiência foi curta: um ano depois, foi retirada do mercado por provocar uma incidência significativa de episódios convulsivos associados ao seu consumo. Foi preciso esperar três anos para que o FDA, a agência que controla fármacos e alimentos nos EUA, voltasse a aprová-la – somente para uso clínico e com uma dose máxima de 450 mg por dia. É o que explica a médica Remedios Gutiérrez, psiquiatra, endocrinologista e fundadora do Centro de Estudos de Aplicação da Psicanálise (CEAP), da Espanha.

No início, o remédio foi comercializado como anfebutamona. O prefixo “anfe” foi eliminado em 2000, quando o remédio passou a se chamar bupropiona. O nome se refere ao genérico, ao princípio ativo. “Nas farmácias, é vendido sob diversas marcas: Odranal, Wellbutrin, Zyban, Budeprion, Prexaton, Elontril, Aplenzin…”, diz a médica.

Seu mecanismo de ação? “Quimicamente, é uma feniletilamina. Considera-se que suas ações desinibidoras e estimulantes provavelmente estejam ligadas à sua semelhança estrutural em relação a moléculas psicoestimulantes potentes, como metcatinona e a metanfetamina”, explica Gutiérrez. Pensou na série Breaking Bad? Pois é.

No entanto, embora a bupropiona gere receios entre a comunidade científica por seu possível “uso indevido”, não se trata de uma droga. Suas únicas duas indicações aprovadas são para o tratamento da depressão leve e a diminuição da dependência do cigarro. Sim, o famoso Zyntabac, que em 2007 se transformou na grande esperança para os fumantes arrependidos, contava com uma boa proporção de bupropiona entre seus compostos químicos.

Tendências de “jaleco branco”

Não existem antidepressivos da moda. A doutora Gutiérrez se preocupa quando lhe perguntamos se a bupropiona é a nova “panaceia feliz”. “Infelizmente, desde a supercampanha de marketing do Prozac, o psicofármaco que tem a honra duvidosa de ter inaugurado a prática de transformar os medicamentos psiquiátricos em objetos da moda, as tendências também afetam a psiquiatria”, afirma. Ela considera que isso é reprovável, ética e moralmente, e inclusive cruel, já que brinca com as esperanças de milhões de pessoas. Nenhum remédio traz a felicidade. “Um antidepressivo só pode melhorar o estado de ânimo e ser usado para algo específico: a felicidade é algo muitíssimo mais complexo. Além disso, existem muitas pessoas que não estão deprimidas e mesmo assim tampouco são felizes.

Ambos os fármacos pertencem ao grupo de antidepressivos denominados “de segunda geração”. Mas sua forma de ação é diferente. Cada um faz parte de uma categoria distinta, como resume a especialista: “A bupropiona pertence ao grupo dos Inibidores da Recaptação de Noradrenalina- Dopamina (IRND). Já a fluoxetina [Prozac] integra o grupo dos Inibidores Seletivos da Recaptação de Serotonina (ISRS). Agem sobre neurotransmissores diferentes.”

Perda de peso: efeito colateral ou vantagem adicional?

Basta ler a extensa lista de possíveis efeitos colaterais de qualquer antidepressivo para constatar que a perda de peso está com frequência entre eles, catalogada como anorexia ou perda de apetite. O problema da bupropiona, como alerta a psiquiatra, é que isso está sendo vendido como vantagem adicional em vez de possível efeito colateral.

A química, nesse caso, acaba prejudicando em vez de ajudar. “A bupropiona é um derivado da dietilpropiona, um anorexígeno (inibidor de apetite) anfetamínico. Mas, claro, por ser um derivado, seus efeitos e sua potência – tanto nesse aspecto como em outros – são muito diversos. De fato, a incidência da perda de apetite em pacientes tratados com bupropiona ocorre em apenas 18% dos casos”, diz Gutiérrez.

Existem estudos independentes que confirmam isso e que pesquisaram minuciosamente esse efeito, tão associado aos antidepressivos. E embora a bupropiona seja vinculada a um menor aumento de peso (não perda) que os antidepressivos tricíclicos, não foram observadas diferenças significativas entre pacientes tratados com bupropiona, ISRS e placebo.

O estudo mais amplo foi publicado em 2005 pela Division of Pharmaceutical Policy and Evaluative Sciences da Universidade da Carolina do Norte. Estabelecia uma comparação sistêmica e científica dos resultados de 46 pesquisas tanto de foi que, entre todos os antidepressivos analisados, a perda de peso “é mais frequente com a fluoxetina e a fluvoxamina, embora, durante o tratamento de longo prazo, esse efeito costume desaparecer”. No entanto, como recorda a psiquiatra, o estudo não cita a bupropiona na questão da redução de apetite, “mas [aponta essa substância] como a que provoca menor taxa de incidência sobre a queda do desejo sexual, ejaculação retardada e anorgasmia [inibição do orgasmo].”

De todo jeito, a doutora Gutiérrez lembra que um antidepressivo deve ser prescrito por sua idoneidade como tratamento para a doença em questão, a tolerância do paciente e a sua eficácia para cada caso. Nunca deve ser receitado por provocar um eventual ganho ou perda de peso ou por gerar maior ou menor desejo sexual.

“Infelizmente, desde a supercampanha de marketing do Prozac, as tendências também afetam a psiquiatria” (Remedios Gutiérrez, psiquiatra e endocrinologista)

No entanto, o risco de que o remédio se transforme no novo “emagrecedor da moda” existe de fato. O mercado negro sempre dá um jeito de driblar os obstáculos de compras dos “medicamentos com receita”. E, como lembra a especialista: “Na enorme maioria das vezes, o que se vende são perigosas falsificações que nem sequer contêm o princípio ativo do fármaco original. Por outro lado, consumir um antidepressivo sem ter depressão pode gerar sérios efeitos adversos, entre eles uma alteração da química cerebral.”

Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), o Brasil é o país com maior número de casos de depressão da América Latina. O número de casos registrados atinge cerca de 5,8% da população brasileira (11,5 milhões de pessoas). A depressão, associada a outros transtornos  mentais, vem impulsionando o consumo de antidepressivos e estabilizadores de humor. Só em 2016, a venda desses medicamentos aumentos 18,2% no país, segundo dados da IMS Health.

Obviamente, não há dados oficiais sobre os consumidores voluntários, que, sem receita e de maneira equivocada, acreditam encontrar múltiplos benefícios colaterais num antidepressivo. Nos anos oitenta, com o Prozac, o fenômeno teve até um nome: efeito a mí plin [expressão que denota indiferença, do tipo “não estou nem aí”]. Resta saber se a bupropiona vai vencer esse jogo espinhoso.

"Dia da Fúria" por Jerusalém deixa 2 palestinos mortos e dezenas de feridos

8:00:00 AM
JERUSALÉM/GAZA - Milhares de palestinos protestaram, dezenas ficaram feridos e ao menos dois morreram nos confrontos com tropas israelenses no “Dia da Fúria” contra o reconhecimento do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de Jerusalém como capital de Israel, e o presidente palestino afirmou que Washington não pode mais ser mediador da paz.

Nos mundos árabe e muçulmano, outros milhares de manifestantes foram às ruas nesta sexta-feira, dia sagrado para os muçulmanos, expressando solidariedade com os palestinos e revolta por Trump ter revertido uma tradição de décadas da política externa norte-americana.Soldados israelenses mataram um palestino a tiros perto da fronteira de Gaza, a primeira morte confirmada em dois dias de tumultos. Uma segunda pessoa morreu mais tarde devido aos ferimentos, disse um funcionário do hospital de Gaza.

O Exército do Estado judeu disse que centenas de palestinos estavam rolando pneus em chamas e atirando pedras nos soldados através da fronteira.

“Durante os tumultos, soldados das IDF (Forças de Defesa de Israel) dispararam seletivamente contra dois dos principais instigadores, e ferimentos foram confirmados”, disse.Mais de 80 palestinos foram feridos na Cisjordânia ocupada e em Gaza devido a disparos de munição letal e de balas de borracha dos israelenses, de acordo com o serviço de ambulâncias do Crescente Vermelho palestino. Dezenas mais passaram mal devido à inalação de gás lacrimogêneo. Na quinta-feira 31 pessoas já haviam ficado feridas.

À medida que as orações de sexta-feira terminavam na mesquita de Al Aqsa, em Jerusalém, fiéis seguiram para os muros da Cidade Velha bradando “Jerusalém é nossa, Jerusalém é nossa capital” e “Não precisamos de palavras vazias, precisamos de pedras e Kalashnikovs”. Houve choques entre manifestantes e policiais.

Em Hebron, Belém e Nablus, dúzias de palestinos atiraram pedras em soldados israelenses, que reagiram disparando gás lacrimogêneo.Em Gaza, controlada pelo grupo islâmico Hamas, os clamores para os fiéis protestarem foram proclamados nos alto-falantes de mesquitas. O Hamas pediu um novo levante palestino como as intifadas de 1987-1993 e 2000-2005, que juntas resultaram nas mortes de milhares de palestinos e mais de mil israelenses.“Quem quer que transfira sua embaixada para Jerusalém ocupada se tornará inimigo dos palestinos e um alvo de facções palestinas”, disse o líder do Hamas, Fathy Hammad, enquanto manifestantes queimavam pôsteres de Trump em Gaza.“Declaramos uma intifada até a libertação de Jerusalém e de toda a Palestina”.A maioria dos países considera Jerusalém Oriental, que Israel capturou na Guerra dos Seis Dias de 1967 e anexou, um território ocupado, que inclui a Cidade Velha, sede de santuários judeus, muçulmanos e cristãos.

O presidente palestino, Mahmoud Abbas, pareceu desafiador nesta sexta-feira.

“Rejeitamos a decisão norte-americana sobre Jerusalém. Com esta posição, os Estados Unidos já não se qualificam para patrocinar o processo de paz”, disse Abbas em comunicado.


De quanto em quanto tempo é preciso tomar banho?

1:00:00 PM

Fatores como idade, local de residência ou uso de sabonete determinam a frequência deste hábito de higiene




A frequência ideal do banho é um tema histórico de debate. Com picos de interesse virais, é claro. Cada vez que algum especialista ou celebridade publica ou diz diante das câmeras que tomar banho diariamente é uma afronta direta à pele, ou que nem sequer é preciso usar desodorante, as conversas sobre o assunto proliferam.

Há dez anos, os Estados Unidos, por influência de uma publicação científica e diversos estudos, lideraram a moda de dar banho nos bebês apenas uma vez por semana. O consumo de água diminuiu em todo o território norte-americano. Na Espanha, entretanto, poucos pais pareceram dispostos a perder os gracejos, com os patinhos de borracha, de seus pimpolhos na banheira. Tampouco a renunciar ao efeito terapêutico da água, que os deixava prontos para cair nos braços de Morfeu com maior facilidade. E eis aqui o xis da questão. Além da higiene, associamos o banho a termos como relaxamento ou tonificação e, muitas vezes, o motivo de fundo para tomar a segunda ou terceira chuveirada do dia é relaxar alguns músculos especialmente tensos ou revigorar-se antes de sair à noite depois de uma jornada maratoniana.

O mundo anda dividido: por um lado estão os extremistas, que chegam a desaconselhar mais de uma ducha completa por semana; e por outro, os adoradores da água e seus efeitos relaxantes e/ou tonificantes, que pensam que, com os produtos adequados, não existe razão para limites. É exagerado tomar mais de dois banhos por dia? Provavelmente, mas há quem o faça.

A geração mais limpa da história

Segundo um estudo realizado pela Demoscopia, a Espanha é o país mais limpo da Europa (os espanhóis passam, em média, 48 horas por ano no chuveiro). Os jovens é que aumentam a média, 50% deles tomam banho uma ou mais vezes por dia, ficam em média 12 minutos sob a água em cada vez. Mas onde fica o limite entre higiene e super-higiene? A Organização Mundial da Saúde (OMS) fixou em 5 minutos a duração ideal do banho para conseguir um uso sustentável de água e energia. Mas só 9% dos espanhóis seguem esta recomendação. No caso das mulheres, 13% passam 20 minutos sob a água, e 10% dos espanhóis tomam banho duas ou mais vezes por dia. Além da economia energética, é preciso levar em conta outros fatores que desaconselham o abuso de higiene.

O manto lipídico não é eterno. A barreira que recobre nossa pele para protegê-la de maneira natural pode desgastar-se ou alterar-se em consequência de banhos indiscriminados e uso de sabonetes inadequados. A capa de lipídios (moléculas orgânicas) tem um pH ligeiramente ácido, em torno de 5,5. Esse é o número chave que impede a passagem de germes, bactérias, vírus e ácaros. Por isso é tão importante não alterar sua acidez. É o que diz a Academia Espanhola de Dermatologia e Venereologia (AEDV), que tem sua própria lista de doenças relacionadas à super-higiene e afirma que nossa pele só está preparada para receber um banho por dia. “Do contrário, ficamos sujeitos a doenças como a dermatite atópica e infecções como a pitiríase ou alergias”, informam.

O doutor José Carlos Moreno, chefe da Dermatologia do Hospital Rainha Sofía de Córdoba, dá as recomendações oficiais e põe alguma sensatez na guerra aberta à água. “Um banho diário não compromete nosso manto lipídico. O problema não está tanto no excesso de água, mas no uso do sabonete, um produto que termina dissolvendo nosso envoltório natural de defesa”, explica. Estão liberados, então, os banhos refrescantes à vontade nos meses mais quentes? Sim, mas é preciso estar atento a fatores como a procedência da água que flui sobre nós. “Em lugares costeiros, como Málaga, a água é um poderoso coquetel de cálcio e cal e a pele se resseca muito”, diz Moreno. “No interior da península, ou no Norte da Espanha, a água é mais alcalina e mais respeitosa com a pele”, acrescenta.

O odor é o motivo de fundo (por vezes, de terror) que leva muitas pessoas a realizar contínuos atos de lavagem. Mas é preciso deixar claro, como diz o doutor, que o suor não tem cheiro. “O suor apócrino, que é o gerado nas virilhas e axilas, só tem odor quando combinado com bactérias”. No caso de esportistas ou pessoas que fazem trabalhos de esforço físico, pode-se entender um segundo banho por jornada, mas, fora essas situações extremas, o mais recomendável é, como sugere o especialista, “lavar-se por partes, incidindo nas zonas problemáticas (pés, axilas e virilhas) em vez de repetir”. Seguindo este protocolo, não há nada que obrigue o banho completo diário, e não haveria maior problema em tomar banho duas ou três vezes por semana.

Naturalmente, se o seu filho chegar do parque coberto de areia, mande-o direto para o banho (mesmo que seja a terceira vez no mesmo dia). A idade, aliás, pode ser um fator determinante para determinar as frequências: ”Com o passar do tempo, a secreção sudoral vai diminuindo e, no caso dos idosos, dois banhos semanais podem mantê-los limpos e livres do mau odor”.

Como é o banho perfeito, segundo a AEDV.

É preferível que a água esteja morna. Em temperaturas mais altas, a pele se resseca e pode até rachar.
No caso de tomar dois ou mais banhos por dia, convém deixar de lado o sabonete e limitar seu uso a um banho.
O gel de banho deve ter um pH entre 5,5 e 6. Se tiver mais de 6,5, poderá alterar o manto lipídico da pele. Os produtos que possuem extratos de óleos vegetais em sua composição também são recebidos com satisfação pela epiderme.
Não é preciso friccionar a pele com força. As esponjas rígidas estariam desaconselhadas. Salvo casos isolados, basta com uma leve massagem com a mão ou uma esponja extra-suave para eliminar qualquer vestígio de sujidade.
É obrigatório hidratar a pele imediatamente após o banho e quando estivermos completamente secos. A secagem é especialmente importante nas axilas, nos pés (entre os dedos) e nas virilhas, para evitar o surgimento de infecções fúngicas.

A doença (ainda sem cura) que obriga a pessoa a se coçar o tempo todo

1:00:00 PM

Pacientes chegam usar água sanitária para diminuir os sintomas, mas medicamentos biológicos podem mudar essa situação





Nem durante a entrevista, ela consegue ficar quieta. Mesmo de forma dissimulada, África Luca de Tena precisa se coçar continuamente. Ela é uma das fundadoras de uma associação de afetados pela dermatite atópica, que luta contra essa patologia de caráter autoimune. Atualmente, Luca de Tena está um pouco protegida por sua gravidez, como ela explica, porque durante a gestação o sistema imunológico da mãe diminui sua intensidade para evitar a rejeição do filho que está se desenvolvendo.

A dermatite atópica é caracterizada principalmente pela coceira intensa e contínua. “Impede o sono, afeta as relações sociais, sexuais, o trabalho, o esporte [é agravada pelo suor], o lazer, a imagem” exemplifica Ainara Rodríguez, responsável médica de Dermatite Atópica de Sanofi.

Essa doença não tem cura e os tratamentos oferecidos por especialistas são para os sintomas. De hidratantes e corticoides para a inflamação nos casos mais suaves a imunossupressores para os mais graves, explica Javier Ortiz, um dermatologista do Hospital 12 de Octubre de Madri. “Sabemos que não podemos curá-los, apenas aliviá-los”, diz. O problema é que são produtos com efeitos colaterais importantes que só devem ser tomados por certo tempo. “Temos uma doença crônica sem um remédio crônico.”

Além da coceira, aparecem manchas vermelhas, escamas, eczemas – principalmente nas articulações. A intensidade nem sempre é a mesma. “Vai de mal a pior”, disse Ortiz. Por isso evita falar de surtos, já que os pacientes graves sofrem um desses episódios de agravamento por mês “que dura cerca de 15 dias”. “Você sabe que sempre vai estar aí”, diz Jaime Llenaza, outro dos afetados.

A ideia de que é algo incurável e estigmatizante faz com que os dados sobre a incidência da doença não sejam claros. “Falta estudo”, admite Ortiz. “Há pacientes que não procuram o médico”, acrescenta Rodriguez. Durante anos, Luca de Tena foi uma delas. “Até recentemente, não queria nem ir ao médico. Minha família me levou no final, quando tinha 90% do corpo afetado. Apenas os lados dos braços se salvavam”, conta. “Sempre tive isso, e você se cansa, cansa muito”, acrescenta.

A derme e o sistema nervoso têm a mesma origem no desenvolvimento embrionário e a liberação de neurotransmissores afeta a pele, explica Ortiz. Há até uma especialidade de dermatologia psiquiátrica (ou psicodermatologia, dependendo de quem a estude) que vai além da depressão ou da ansiedade pelo desconforto ou os efeitos sobre a aparência. “Quando você fica nervoso com algo coça mais”, diz Llenaza.

Essa coceira contínua faz com que as pessoas afetadas procurem qualquer tipo alívio. Mas todos têm efeitos colaterais. “Se você jogar água fria, a pele vai ficar irritada. O sol é bom, mas o suor é ruim”, diz Luca de Tena. Um dos remédios mais estranhos, embora respaldados pelo médico, é tomar banho com água sanitária diluída. “A pele dessas pessoas é especialmente sensível às infecções por herpes e estafilococo dourado”, explica ele, e a água sanitária atua como um desinfetante. “Mas se exagerar, irrita ainda mais”, acrescenta. Até o mais básico, se coçar, é inevitável, mas prejudicial porque são liberadas substâncias que aumentam a resposta inflamatória.

A doença tem um importante componente genético, mas também influem fatores ambientais. E por isso está aumentando. Em um estudo na Dinamarca, foi descoberto que na década de 60 afetava entre 2% e 3% das crianças; na década de 70, eram entre 6% e 7% e nos anos 90, alcançou uma incidência entre 15% e 20%. A razão, segundo Rodríguez, é a denominada hipótese da higiene: a assepsia em que vivem as crianças faz com que seu sistema imunológico fique desequilibrado. Se, de um modo geral, existem dois tipos de reações imunológicas, as reguladas pelos linfócitos TH1 contra vírus e bactérias e as reguladas pelos TH2 contra alérgenos, o cuidado excessivo dos bebês faz com que os primeiros de não tenham trabalho, e que os segundos, ao contrário, trabalhem demais.

Medicamentos biológicos

A esperança para os doentes, sobretudo para os mais graves, é que há vários remédios em fase de teste e dois aprovados recentemente. Em setembro, a Agência Europeia de Medicamentos aprovou o primeiro remédio biológico contra a doença, dupilumab. A agência reguladora de remédios dos EUA (FDA, na sigla em inglês), já havia aprovado o medicamento em março deste ano. No Brasil, o medicamento já se encontra em fase de registro pela Anvisa. "A Sanofi aguarda a aprovação regulatória para anunciar o lançamento do produto no país", informa a empresa.

Em vez de atuar contra os sintomas, atacam duas proteínas, as interleucinas 4 e 13, envolvidas no processo inflamatório. Há casos de pacientes nos EUA que estão tomando há três anos sem nenhum efeito adverso a não ser local pelo uso da agulha, diz um representante da Sanofi, que, juntamente com a Regeneron, são os responsáveis pelo desenvolvimento da droga.

Ortiz é otimista. “Não vai curar nem vai funcionar em todos, mas vai ser uma mudança. O medicamento conseguiu a redução de 75% da coceira em dois terços dos pacientes em 16 semanas”, afirma, citando o ensaio com mais de 2500 pacientes que levou à sua comercialização.

Como em todos esses desenvolvimentos biológicos, o maior problema é o preço do medicamento. Nos EUA, o tratamento com dupilumab custa cerca de 37.000 dólares (119.000 reais) por ano. Mas esse valor pode diminuir se pesquisas provarem que o medicamento pode ser usado em outras aplicações. Há outras doenças relacionadas com a dermatite atópica (asma alérgica, rinite) nas quais estão sendo feitos testes.

O dupilumab não é a única novidade. Também está pendente a aprovação do uso do crisaborole, uma pomada do laboratório Anacor para fases moderadas já utilizado no tratamento da psoríase. Tem a vantagem de ser um anti-inflamatória sem corticoides, o que evita efeitos como o aumento de peso, danos nos rins e nos ossos, comum nos pacientes. E virão mais. Ortiz aponta uma lista de mais de dez medicamentos em desenvolvimento. “Com a chegada dos biológicos, a dermatite atópica vai sofrer uma mudança semelhante à ocorrida em 2001 com a psoríase”, diz o médico.

AS VANTAGENS DA "VITAMINA S"


O aumento de doenças como a dermatite atópica e outras de tipo alérgico e autoimune têm uma causa clara no ambiente. Embora exista um fator genético importante, ele não varia tanto nem tão rápido com o tempo, indica Ainara Rodríguez, especialista nesta doença do laboratório Sanofi. São os condicionamentos, especialmente nos cuidados de limpeza das crianças, que é quando a maioria destas doenças começa a se manifestar, os determinantes do aumento.

Rodriguez expõe três estudos que destacam as vantagens da chamada "vitamina S", o contato com a sujeira. Nos anos setenta, antes da queda do Muro de Berlim, foi feito um estudo sobre a prevalência desta doença nos dois setores da cidade. Na parte Oriental, com piores condições de higiene, onde as pessoas viviam mais amontoadas, havia muito menos casos, em média, do que na Ocidental. Ao repetir o estudo após a unificação, os números dos dois lados da cidade estavam no nível da parte Ocidental.

Outro estudo comparou os casos deste tipo de doenças alérgicas e autoimunes entre as crianças cujos pais costumavam esterilizar tudo que elas usavam e aqueles que quando a chupeta caía no chão limpavam colocando-os na própria boca. As crianças que eram tratadas assim tinham uma incidência desses transtornos muito menor que os outros.

Por último, um trabalho publicado em agosto de 2016 no New England Journal of Medicine fez a mesma comparação entre as crianças de duas comunidades muito especiais: os amish e os huteritas. São grupos fechados sendo que os segundos têm a permissão de maior uso de máquinas (o que reduz o contato com os animais). Esta maior higiene fez com que aumentassem os casos de doenças como a dermatite atópica.
 

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